Cuidar das crianças te deixa exausta? Estar com os filhos te deixa tensa? É difícil para você entender o que seus filhos sentem? Sente que fica esgotada depois de passar o dia com os filhos? Não consegue mais demonstrar aos filhos o quanto os ama? Sente-se como se estivesse cuidando dos filhos no piloto automático? Não consegue mais sentir prazer em estar eles? Não vê a hora de colocá-los na cama para dormir? Sente-se emocionalmente esgotada ou frustrada em seu papel parental?

Pode ser que você se sinta culpada ao responder SIM a alguma dessas perguntas, mas quero te dizer que tudo bem sentir-se assim e assumir que está difícil é o primeiro passo para resolver a situação. Também quero que saiba que você pode estar sofrendo de uma síndrome cada vez mais comum nas famílias, a Síndrome de Burnout Parental.

Burnout é um termo que foi atribuído na década de 70, para se referir a um estado de esgotamento profissional, envolvendo três componentes:  exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal.

A exaustão emocional é caracterizada por um sentimento muito forte de tensão emocional que produz uma sensação de esgotamento, de falta de energia e de recursos emocionais próprios para lidar com as rotinas da prática profissional e representa a dimensão individual da síndrome.

A despersonalização é o resultado do desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas, por vezes indiferentes e cínicas em torno daquelas pessoas que entram em contato direto com o profissional, que são sua demanda e objeto de trabalho. Num primeiro momento, é um fator de proteção, mas pode representar um risco de desumanização, constituindo a dimensão interpessoal de burnout.

Por último, a falta de realização pessoal no trabalho caracteriza-se como uma tendência que afeta as habilidades interpessoais relacionadas com a prática profissional, o que influi diretamente na forma de atendimento e contato com as pessoas usuárias do trabalho, bem como com a organização (Maslach, 1998).

Trata-se de uma síndrome na qual o trabalhador perde o sentido da sua relação com o trabalho, de forma que as coisas não lhe importam mais e qualquer esforço lhe parece inútil. Finalmente, a síndrome de burnout tem sido negativamente relacionada com saúde, performance e satisfação no trabalho, qualidade de vida e bem-estar psicológico (Rabin, Feldman, & Kaplan, 1999).

Trazendo este conceito para a parentalidade, desde a década de 2000 pesquisas estão sendo desenvolvidas e têm comprovado que os pais podem sofrer de estresse excessivo em virtude da função de pais, em decorrência de diversos fatores, tais como: história pessoal, idealização da função enquanto mãe ou pai, falta de apoio, quantidade de filhos a serem atendidos, crianças jovens, deficientes físicos ou especiais, baixa renda familiar ou práticas inadequadas de parentalidade. (Vilela, 2017).

Estar presente para estas questões são fundamentais, pois além do impacto no desenvolvimento das crianças, tal desgaste afeta a vida familiar como um todo, trazendo muitos conflitos conjugais e aumentando o índice de divórcio.

Recentemente uma mãe me procurou para que eu atendesse sua filhinha de 3 anos que estava apresentando comportamentos inadequados em casa e na escola – não obedecia, batia e mordia os coleguinhas e a irmã de 1 ano e meio.

Sugeri para a mãe que fizesse parte do meu programa de Coaching Parental – Programa Semear e depois, se ainda houvesse necessidade, atenderia a criança na Psicoterapia Infantil. Na fase de investigação inicial esta mãe foi relatando o quanto sentia-se esgotada com a rotina familiar e isso fazia com que ela só quisesse trabalhar “Estar no trabalho é um alívio para mim” (sic). Seu marido estava fazendo acompanhamento psicológico para tratar suas crises de pânico e quase não a ajudava com a casa. Suas duas filhas ficavam período integral na escola e quando chegavam em casa, já no final do dia, ela não via a hora de colocá-las para dormir. O final de semana era um martírio… Esta mãe estava realmente muito exausta. Precisava de acolhimento e ajuda.

À medida que fomos explorando alguns aspectos de sua história, ela passou a tomar consciência e se fortaleceu para mudar o que era preciso. Descobriu o que a incomodava e percebeu que tinha todos os recursos necessários para melhorar a dinâmica familiar. Resultado: mudou sua atitude com a filha, a criança não teve mais queixas na escola, ficou mais colaborativa e aos poucos esta mãe ficou mais à vontade, voltou a sentir prazer em estar com as crianças e a sair com elas. Diminuiu o seu ritmo de trabalho, pois já não precisava usá-lo como esquiva e alcançou a paz e tranquilidade que havia perdido depois da chegada das filhas.

Vale ressaltar que a síndrome de burnout parental não é exclusiva das mães (embora sejam a grande maioria), estudos mostram que os homens, por estarem cada vez mais envolvidos na vida dos filhos, têm a mesma probabilidade de desenvolverem a síndrome.

Se o seu maternar está pesado, procure uma profissional capacitada para te ajudar. O autoconhecimento é o caminho para a felicidade!

Vamos juntas?

Com carinho, Aline.