Se você pudesse, colocaria seu filho dentro de uma bolha e não deixaria que nada de mau lhe acontecesse? Você não suporta a ideia de que algo ruim possa acontecer ao seu filho? Se inventassem um chip e você pudesse ter total controle de onde seu filho  está, o que está sentindo ou fazendo, você teria? Se depender de você, seu filho nunca terá frustrações na vida?

Se você respondeu SIM para alguma destas perguntas, super recomendo que leia este artigo até o final e depois assista o episódio Arkangel, da quarta temporada de Black Mirror, no Netflix.

Arkangel é o nome da empresa que oferece uma tecnologia a ser implantada no cérebro das crianças e que permite aos pais as monitorarem através de um tablet, fornecendo informações acerca da localização, sinais vitais e filtros que controlam os estímulos que elevam o nível de cortisol e geram estresse.

É fato que a possibilidade de perder um filho ou de que algo de muito ruim possa acontecer com ele traz muita preocupação para qualquer mãe, mas até que ponto é possível (e saudável) protegê-lo dos riscos da vida?

Selecionei aqui 5 fatos importantes para refletirmos sobre a superproteção:

  1. Excesso de proteção causa dependência. A superproteção tira da criança a oportunidade de aprender habilidades que serão importantes para lidar com as situações da vida, assim, ela ficará para sempre dependendo de você para tomar as decisões e não assumirá a responsabilidade por suas ações.
  2. A criança precisa ser frustrada. A frustração é um sentimento desagradável, mas fundamental para que a criança aprenda a valorizar as coisas que são importantes e também para que desenvolva tolerância, persistência e força de vontade – habilidades que serão indispensáveis para seu sucesso na vida adulta.
  3. É preciso pensar a longo prazo. Educar e formar um ser humano não é fácil, requer esforço e comprometimento por parte dos pais ou de quem assumir esta função. Sempre digo que a infância é o período de SEMEAR, no qual só veremos o resultado depois de alguns anos. Quando expandimos a nossa consciência e pensamos a longo prazo, conseguimos negociar melhor as decisões do momento atual.
  4. Educar é transferir conhecimento. Geralmente a superproteção faz parte da vida das mães que sentem a necessidade de controlar tudo. O problema é que se você controlar tudo o que seu filho faz, pensa, vê ou sente, ele não aprenderá a lidar com as situações quando você não estiver mais aqui. Quando o controle fica em suas mãos, seu filho não aprende a pensar em suas ações, não assume responsabilidades e não segue as regras.
  5. Busque o caminho do meio. Em Arkangel a mãe da menininha usa o dispositivo para filtrar e monitorar a filha durante toda a infância, mas depois de uma situação que ocorre quando a menina tem cerca de 10 anos, a mãe decide não usar mais a tecnologia e lhe dá liberdade total. Aquela criança que nunca havia experienciado o medo ou a raiva, que nunca tinha visto cenas de perigo ou sangue, de repente se depara com toda a realidade, nua e crua, sem nenhum preparo. Ao buscar o caminho do meio, você vai habilitando a criança, à medida que ela cresce, para as situações da vida, aumentando os recursos internos para lidar com as adversidades e desenvolvendo a resiliência.

Uma vida sem dor, sem sofrimento, sem violência é o que toda mãe quer para o filho. Não fomos educadas para lidar com a dor. Temos a concepção de que sentimentos como raiva, medo e frustração são negativos, quando na verdade eles são apenas desagradáveis, porém necessários para a construção de uma vida feliz.

Vamos juntas?

Com carinho, Aline.