Nesse texto quero falar com você sobre Alfabetização Emocional. Estamos em constante evolução, vivemos numa Era em que tudo muda o tempo todo. A forma de nos relacionar uns com os outros mudou, a forma de nos comunicar e a forma de educar as crianças também.

E toda mudança gera novos desafios, pois saímos da zona de conforto e nos vemos diante do novo. Esta é uma época difícil para as crianças e os pais, que precisam se desdobrar para transmitir seus valores e obterem sucesso nesta linda missão de formar um cidadão, ao mesmo tempo em que diminuíram o tempo livre com eles, já que as questões econômicas exigiram que trabalhassem mais para sustentar a família.

Em meio a tudo isso, acabamos deixando de lado aquilo que é abstrato: nossas emoções.

Não fomos educados para lidar com sentimentos de raiva, medo, tristeza. Foram proibidos de sentir. Quantas vezes ouvimos dos nossos pais ou dissemos para uma criança frases como “Engole esse choro”, “Não foi nada, não precisa chorar”, “Não pode ficar com raiva, é feio”, “Não fica triste não, Papai do Céu não gosta”.

Costumamos acreditar que só a dor física é válida e não valorizamos a dor emocional, como se ela fosse desaparecer caso a deixássemos de lado.

A linguagem que o bebê usa para se comunicar é através do choro. Cada choro vai sendo interpretado pelo cuidador, que vai nomeando de acordo com a situação “Ah, este choro é fome, é cólica, é sono..” e conforme a criança vai crescendo, vamos ensinando-a a nomear as coisas: Carro, bola, papai, mamãe, água, tetê, pepeta, gato, cachorro, papagaio, enfim… Damos nomes aos objetos e alfabetizamos as crianças para as situações do mundo.

A alfabetização emocional segue a mesma linha, precisamos ajudar a criança a nomear as sensações que cada experiência lhe traz. Ao nomearmos um sentimento e falarmos sobre ele, ampliamos a percepção e autoconsciência, com isso a criança passa a se conhecer melhor e amplia seu repertório de expressão.

Imagine uma situação em que duas crianças pequenas estão brincando, de repente uma tira o brinquedo da outra. Esta ação gera um sentimento na criança que ficou sem o brinquedo, que por não saber lidar, vai lá e bate no colega. Não ajuda nada dizermos à criança “Que coisa feia, não pode bater. Deixa o amiguinho brincar um pouquinho, pega este outro brinquedo aqui”.

É preciso alfabetizar a emoção desta criança! Neste exemplo podemos dizer: “Isso que você sentiu quando ficou sem o brinquedo é raiva, é normal sentir raiva nestas situações, mas não precisa bater no amiguinho por causa disso. Que tal se você deixasse ele brincar um pouquinho e escolhesse outra coisa?”.

Todos os sentimentos são permitidos, mas nem toda atitude é aceitável.

Por trás de todo comportamento inadequado existe um sentimento que precisa ser nomeado, compreendido e alfabetizado.

Vamos juntas?

Com carinho, Aline.