Hoje escrevo para compartilhar com você uma reflexão acerca de um sentimento que tenho percebido muito na cultura da sociedade como um todo, principalmente entre as mamães: o sentimento de insuficiência, de escassez, de não ser boa o bastante.

Se você tivesse que completar a frase: “Nunca ser _________ o bastante”, qual a primeira palavra que te vem à mente?

Não sei como foi pra você, mas a tendência é preenchermos essa lacuna com algo que sentimos que está em falta ou, então, algo que temos como um ideal a ser atingido… E esse pensamento ocorre automaticamente, a sensação é de que passamos a vida nos preocupando com o que nos falta, com o que não nos é suficiente.

A questão é que se olharmos com as “lentes da escassez”, buscando uma referência no ideal ou nos comparando com o outro, sempre nos sentiremos em falta, nunca será o bastante, nunca seremos uma pessoa boa o suficiente, uma profissional boa o suficiente, uma mãe boa o suficiente, uma filha boa o suficiente, uma aluno boa o suficiente.

Pensando na relação entre pais e filhos, quero citar um trecho do livro “A coragem de ser imperfeito”, de Brené Brown.

“Quando se trata de criar filhos, a prática de estigmatizar mães e pais como bons ou maus é ao mesmo tempo exagerada e destrutiva – e transforma a criação de filhos em um campo minado. As questões fundamentais para os pais deveriam ser: “Você está comprometido? Você está atento?” Se estiverem, preparem-se para cometer muitos erros e tomar decisões ruins. Perfeição não existe, e o que torna filhos felizes nem sempre os prepara para serem adultos corajosos e comprometidos.”

No meu trabalho com as mães, principalmente as mães de primeira viagem, vejo o quanto gostariam de que seu filho nascesse com um manual, um passo a passo de como educá-lo da melhor forma, para que ele se tornasse uma criança feliz, segura, que fizesse bons amigos, fosse um bom aluno e um profissional do sucesso. Não seria nada mal ter uma enciclopédia  que oferecesse garantias de acerto, não é mesmo? Mas não existe e o fato é que a incerteza sobre como educar o filho, desperta nos pais sentimentos de frustração, medo, angústia.

O mundo está recheado de pessoas querendo apontar o que devemos fazer, falando o que é certo ou errado e, assim, temas tão particulares se tornam discussões infinitas, por exemplo: Até quando amamentar o filho? Quando a criança chora, devo deixá-la chorando ou pegá-la imediatamente? O que faço quando meu filho faz birra? Deixá-lo ou não de castigo? A lista de “pitacos” é grande.

A grande verdade por trás de toda essa discussão é: Quem você é e a maneira como você se relaciona com o mundo é o indicador mais seguro de como seu filho será!

Volto na citação acima: “Você está comprometida? Você está atenta?”

Se a resposta for SIM, confie no seu instinto e mantenha sempre a intenção positiva em ajudar seu filho a ser a melhor versão dele, enquanto você dá o seu melhor para ser a melhor mãe que o seu filho pode ter. Confie em seu potencial e na sua capacidade de aprender com os erros.

Está aí também a importância do autoconhecimento, pois quanto mais você se conhece, mais você se cura e se potencializa. Quando você tem clareza de quais são os seus valores, quando você olha para a história da sua família, para suas feridas, suas superações, quando você honra e respeita a sua própria história, você percebe que pode ser uma versão melhorada dos seus pais, que tem a possibilidade de agir diferente com o seu filho e que a vida é uma constante evolução.

Ficar se comparando com outras mães não é bom e pode ter um efeito reverso já que ao buscar modelos em outras relações, corre-se o risco de não se atentar para aquela relação que você está vivendo e que é real, que é o SEU mundo. Cada um tem a sua história e a educação dos filhos não deve ser uma competição.

Você não precisa ser uma mãe melhor do que as mães do amiguinho do seu filho, sua preocupação deve ser a de ser uma mãe melhor do que você mesma, buscando esta evolução dia após dia. Lembre-se sempre de se lembrar de nunca se esquecer de que a PERFEIÇÃO não existe e de que é preciso correr riscos, que errar faz parte da vida e é fonte de muitos aprendizados.

Esteja aberta a buscar e receber ajuda. Não existe uma receita pronta, mas uma ajuda profissional pode auxiliar neste processo e, juntas, encontrar um caminho que lhe faça mais sentido e que favoreça uma relação saudável e próspera.

Para finalizar, convido você a ajustar as lentes, deixe de lado a “lente da escassez” e olhe para o positivo, para suas potencialidades e para as de seu filho.

Quando se trata de ser mãe, no que você se considera ser suficientemente boa? Pensando na relação com seu filho, qual aspecto lhe dá a sensação de plenitude?

Vamos juntas?

Com carinho, Aline.