ESTE TEXTO É BASEADO NA SÉRIE DO NETFLIX – 13 Reasons Why, que aborda questões polêmicas como bullying, machismo, LGBTfobia, abuso sexual e o suicídio de uma adolescente.

Após ler diversos artigos sobre o assunto, alguns prós, outros contra, resolvi escrever este artigo para compartilhar alguns pontos que fizeram sentido para mim. É fato que a série aborda assuntos que, infelizmente, fazem parte da vida em sociedade, principalmente nesta fase tão difícil que é a adolescência, mas, o que me chamou a atenção não foram os assuntos abordados diretamente, mas sim os que estão por trás do comportamento do bullying, do preconceito, do suicídio e por isso, neste texto, quero chamar a atenção de vocês para outros treze temas que estão nas entrelinhas…

  1. Vínculos: Já dizia a velha frase “Nenhum homem é uma ilha”. Estabelecer vínculos saudáveis é fundamental para o pleno desenvolvimento humano. Somos seres relacionais, não nascemos para viver sozinhos. A importância que o vínculo estabelece na nossa vida, desde o início, evidencia o quanto este será fundamental e determinante ao longo dela. Podemos ter uma vida saudável e equilibrada ou adoecedora, depende de como lidamos com os vínculos que nos circundam. A ausência de vínculos gera o segundo ponto desta reflexão;
  2. Solidão: É muito subjetiva e pode ser sentida em diferentes graus. Não se refere a estar sozinho ou cercado de pessoas, mas como cada um se sente perante os vínculos que se estabelece ao longo da vida. Um estudo australiano revelou que a solidão pode prejudicar a saúde mental e pessoas solitárias têm mais chances de desenvolver ansiedade social, depressão e paranóia.
  3. Confiança: Confiar é uma forma de simplificar as relações. Confiar é acreditar na ação do outro e deixá-lo livre para ser e fazer o que quiser. Tal confiança pode ser reforçada ou debilitada, depende da ação do outro. Ter a confiança traída ou não sentir que pode confiar nas pessoas à sua volta, leva ao próximo tópico;
  4. Pertencimento: é uma necessidade inerente ao ser humano. Maslow, psicólogo americano, acredita que as pessoas são seres sociais e têm necessidade de pertencer a um grupo, amar aos outros e serem amadas.
  5. Vulnerabilidade: É incerteza, risco e exposição emocional. Tem a ver com compartilhar nossos sentimentos e nossas experiências com pessoas que conquistaram o direito de conhecê-los.
  6. Autoestima: É a opinião acerca de si, seu autoconceito, unido ao amor próprio e a autovalorização, juntamente com todos os demais comportamentos e pensamentos que demonstram confiança, segurança e valor que o indivíduo dá a si mesmo, nas relações e interações com outras pessoas e com o mundo, ou seja, é um conjunto de sentimentos, pensamentos e comportamentos que a pessoa tem relacionado a ela mesma. A autoestima pode ser baixa ou elevada, dependendo das relações estabelecidas ao longo da vida.
  7. Autoconhecimento:  Extremamente importante, a percepção de si mesmo é fundamental para guiar nossas decisões, planejar, organizar e realizar nossos objetivos, metas e sonhos, desenvolver nossas competências e habilidades e administrar nossas ações assertivamente. Muitas vezes, por não termos este autoconhecimento, nos vemos perdidos diante de diversas situações em nosso trabalho, em família, nos relacionamentos interpessoais, nos tornamos inseguros e dependentes dos conselhos e intervenções de outras pessoas.
  8. Viver o momento presente: Passado, presente e futuro são percepções do tempo. Viver no passado faz com que a pessoa fique presa às experiências vividas, revivendo situações que, na maioria das vezes, são dolorosas e quando são projetadas para o futuro, perde-se a perspectiva da vida. Excesso de passado ou de futuro nos tira do momento presente e nos paralisa. O passado te trouxe até aqui, mas é o que você faz no momento presente que te levará para o futuro.
  9. Resiliência: Capacidade de lidar com os problemas da vida e superar as situações difíceis. Eu diria que é uma habilidade fundamental que todas as pessoas precisam desenvolver. É a aptidão de transformar situações negativas em positivas.  
  10. Expressar sentimentos: Comumente as pessoas deixam de falar o que estão sentindo ou pensando e ficam à espera de que o outro adivinhe o que está se passando e as ajude sem precisar pedir ou, então, simplesmente não dizem nada porque acreditam que não fará diferença, que o seu caso não tem solução. Quando não expressamos o que sentimos ou pensamos, perdemos a oportunidade da possibilidade de mudança.   
  11. Empatia: Capacidade de se colocar no lugar do outro para sentir e compreender como o outro sente e percebe a situação. A empatia é um antídoto para o individualismo, o julgamento, o preconceito. Ser empático é fundamental para se ter um bom relacionamento interpessoal e aumentar a nossa capacidade de percepção de mundo, é reconhecer a humanidade do outro, aceitar sua individualidade e honrar a sua história.
  12. Rótulos: São para produtos, não para pessoas. Quantos rótulos carregamos conosco ao longo da vida e, muitas vezes, nem sabemos o motivo? Quantas vezes uma pequena situação deixa uma marca, um estigma que nos acompanha pela eternidade? Rotular alguém é predetermina-lo a algo inferior e considerar que aquela característica observada, muitas vezes de forma inadequada, possa determinar a personalidade da pessoa.
  13. Sentido da vida: A vida é como uma tela em branco e todos os dias temos a oportunidade de pintar uma pequena parte da nossa grande obra de arte. Acontece que muitas vezes as pessoas não têm clareza de qual pintura querem fazer e vão apenas fazendo pequenos traços e misturando as cores, até que chega um dia em que olham para esta tela e não conseguem visualizar nenhuma imagem além de um grande borrão. Tem pessoas que olham para a tela que pintaram, não gostam da imagem que estão vendo, mas acreditam que não podem consertar e por isso decidem encerrar sua obra e por um fim em tudo.

Ausência de vínculos saudáveis, sentimento de solidão, não ter em quem confiar, não se sentir pertencente a nenhum sistema, não enfrentar a vulnerabilidade, baixa autoestima, falta de autoconhecimento, não viver o momento presente, não ser resiliente, não conseguir expressar os sentimentos, falta de empatia, ser rotulado e perder o sentido da vida, tudo isso gera comportamentos autodestrutivos ou depreciativos, como os abordados no decorrer dos capítulos da série, por isso, precisamos SIM falar sobre isso.

Se você tem passado por situações difíceis, que têm feito você desistir de viver, busque ajuda. Hoje existem muitos recursos para te ajudar a superar as adversidades e oferecer um apoio emocional e psicológico.

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Vamos juntas?

Com carinho, Aline.