QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS FAMÍLIAS QUE PROMOVEM O DESENVOLVIMENTO SAUDÁVEL DAS CRIANÇAS? Quais são as principais habilidades que precisamos incutir em nossos filhos, a fim de que se tornem adultos com autoestima elevada, amor próprio, maior aceitação de si e do outro, maior segurança interna e controle emocional?

Venho me dedicando a estudar o desenvolvimento infantil e as relações parentais e percebi que um dos elementos principais para uma relação saudável é a EMPATIA.

Mas o que é empatia?

De acordo com Carl Rogers, psicólogo precursor da Abordagem Centrada na Pessoa, empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e ver o mundo como o outro o vê. Ser empático é se permitir entrar no mundo dos sentimentos do outro e das suas concepções pessoais e vê-los como ele o vê.

Algumas famílias esperam que o filho esteja sempre alegre, feliz, calmo, afinal “fazem de tudo para dar a ele do bom e do melhor”, ralam o dia todo no trabalho para poderem comprar aquele brinquedo que ele quer ou para pagar uma boa escola e oferecer uma boa formação. Já ouvi pais dizerem que a criança não tem motivos para ficar triste, pois não faz outra coisa além de brincar e estudar.

O fato é que muitas vezes somos educados a não entrar em contato com sentimentos “negativos” e vamos aprendendo a disfarçá-los e a não confiar em nossa capacidade de sentir e pensar por nós mesmos. Passamos a acreditar que o outro, que nossos pais sabem melhor de nós do que nós mesmos e, então deixamos de acreditar naquilo que estamos experienciando.

John Gottman, em seu livro “Inteligência emocional e a arte de educar nossos filhos”, aponta 5 passos importantes para que os pais sejam verdadeiramente preparadores emocionais dos filhos. São eles:

  1. Perceber a emoção da criança: para isso o autor diz que é importante que os pais estejam emocionalmente conscientes, ou seja, consigam identificar suas próprias emoções também, para assim poderem identificar os sentimentos presentes na criança. Chamo sua atenção para a relevância disso: Quantas vezes, por exemplo, você já descontou a raiva em alguém que não tinha nada a ver? De repente estava irritado com algo que aconteceu no trabalho, chegou em casa e acabou descontando na sua família? Muitas vezes isso acontece porque não estamos conscientes de nossas emoções. Agora imagine a mesma situação: Aconteceu algo no trabalho que te deixou muito irritado, mas você está consciente deste sentimento e assim não permite que ele seja maior do que você. Ao chegar em casa, quando seu filho for pedir para brincar, você poderá dizer: “Olha, adoraria brincar com você, mas neste momento estou muito irritado com o meu trabalho e preciso ficar sozinho 5 minutos para pensar”. Ao se permitir entrar em contato com o seu sentimento, com certeza você conseguirá aceitar mais facilmente os sentimentos da criança e ajudá-la a lidar com eles também.
  2. Reconhecer a emoção como uma oportunidade de intimidade e orientação: No livro o autor diz que

    “Ao reconhecer as emoções de nossos filhos estamos colaborando para que eles aprendam técnicas calmantes que lhe serão úteis para o resto da vida.” (p.98).

    Comece a perceber os momentos de birra e comportamentos inadequados do seu filho, como oportunidades para ajudá-lo a lidar com aquele sentimento. Entenda que o seu filho ainda é uma criança em fase de desenvolvimento e o comportamento de birra é a forma que ele tem de expressar o que está sentindo, você poderá ajudá-lo reconhecendo esta emoção para juntos pensarem em outras formas de lidar com a situação.

  3. Ouvir com empatia e legitimar os sentimentos da criança: ouvir com empatia é diferente de escutar. Quando ouvimos alguém de forma empática, não usamos só o nosso ouvido, mas todo o nosso corpo está congruente e voltado para a pessoa que está falando. Ouvir com empatia é se colocar no lugar da criança, imaginar o que ela está sentindo e traduzir suas emoções em palavras que a ajude a compreender o que está se passando, sem julgamentos.
  4. Nomear e verbalizar as emoções: quando damos um nome a alguma coisa, ela se torna mais palpável, identificável, mais fácil de lidar. Ao ajudar a criança a verbalizar suas emoções, estamos ajudando-a a desenvolver um vocabulário para se expressar, então talvez ela não precise mais se jogar no chão toda vez que for contrariada, já que ela aprendeu a expressar aquele sentimento de frustração de outra forma.
  5. Impor limites e ajudar a criança a encontrar soluções: Veja que tudo é um processo – primeiro você percebeu as emoções da criança, depois reconheceu como uma oportunidade de orientação, ouviu com empatia, ajudou-a a nomear os sentimentos e agora ajudará a pensar nas possíveis soluções. O mais importante é que a criança perceba que o problema não é o que ela sente, mas como ela se comporta com aquilo que está sentindo, por isso devemos impor limites em seus comportamentos e não em seus sentimentos! Através do lúdico e do diálogo, você poderá estimular a criança a pensar em outras formas, fazendo perguntas que a levem à reflexão e tomada de decisão.  

Seguir estes passos pode parecer algo complicado de se fazer, mas eu garanto que com a prática tudo fica mais fácil. Ser uma mãe ou uma pai preparador emocional é uma habilidade e toda habilidade se adquire com conhecimento, prática e repetição!

Vamos juntas?

Com carinho, Aline.