NO TEXTO DESTA SEMANA QUERO FALAR COM VOCÊ SOBRE UM TEMA QUE É UM POUCO DELICADO, NINGUÉM GOSTA DE FALAR MUITO, MAS QUE É DE EXTREMA NECESSIDADE. O mês de setembro tem sido conhecido como o mês de prevenção ao suicídio e desde 2014 tem ocorrido a campanha “Setembro Amarelo”, iniciada no Brasil pelo CVV – Centro de Valorização da Vida. Especificamente o dia 10/09 é marcado pelo Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

A Campanha Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização e prevenção ao suicídio. Seu objetivo é alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção.

O suicídio é um problema de saúde pública e a Psicoeducação é mais do que necessária. De acordo com o site oficial da Campanha 32 brasileiros são vítimas do suicídio por dia, e segundo a OMS 9 a cada 10 casos poderiam ser evitados.

Os dados apontados pela OPAS/OMS são alarmantes:

  • Mais de 800.000 pessoas morrem por suicídio todos os anos.
  • Para cada suicídio, há muito mais pessoas que tentam o suicídio a cada ano. A tentativa prévia é o fator de risco mais importante para o suicídio na população em geral.
  • O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos.
  • 75% dos suicídios no mundo ocorrem em países de baixa e média renda.
  • Ingestão de pesticida, enforcamento e armas de fogo estão entre os métodos mais comuns de suicídio em nível global.

Ainda de acordo com eles, embora haja relação entre distúrbios suicidas e mentais, tais como depressão e abuso de álcool, vários suicídios ocorrem de forma impulsiva em momento de crise, com um colapso na capacidade de lidar com os estresses da vida – tais como problemas financeiros, términos de relacionamento ou dores crônicas e doenças.

Além disso, o enfrentamento de conflitos, desastres, violência, abusos ou perdas e um senso de isolamento estão fortemente associados com o comportamento suicida. 

O suicídio é complexo e a falta de informação faz com que muitas pessoas que estão pensando em tirar suas próprias vidas ou que já tentaram suicídio não procurem ajuda e, por isso, não recebam o auxílio que necessitam. A prevenção não tem sido tratada de forma adequada devido à falta de consciência do suicídio como um grave problema de saúde pública. Em diversas sociedades, o tema é um tabu e, por isso, não é discutido abertamente.

Ano passado a mídia trouxe este assunto através da série do Netflix “13 Reasons Why” e também ouvimos muitos casos de jovens que cometeram o suicídio ao participarem do jogo “Baleia Azul”, mas não basta só apontar o problema, é preciso agirmos na Psicoeducação.

De acordo com Robert Gellert Paris, presidente do CVV “Quem pensa em suicídio está passando por um sofrimento psicológico e não vê como sair disso. Mas não significa que queira morrer. O sentimento é ambivalente: a pessoa quer se livrar da dor, mas quer viver. Por dentro, vira uma panela de pressão. Se ela puder falar e ser ouvida, passa a se entender melhor”.

Suicídio na Infância e Adolescência

No Brasil, dados do Mapa da Violência 2017, organizado pelo Ministério da Saúde, mostram que, de 2002 a 2012, o número de suicídios entre crianças e adolescentes de 10 a 14 anos aumentou 40%.

É uma realidade muito triste e difícil de entender quais as motivações, mas pesquisas mostram que o sentimento de abandono, a experiência de abusos físicos ou sexuais, a desorganização familiar, o desajustamento na escola ou em casa e a desesperança em relação ao futuro são alguns dos fatores que aparecem como motivadores. 

O convite aqui é para que você esteja atento às pessoas a sua volta, se você ou alguém da sua família está passando por algum problema, busque e ofereça ajuda. Deixe de lado o preconceito e a ideia “Ah, ele só quer chamar atenção”.

Busque ter um tempo regular com seus filhos, mantenha sempre um diálogo aberto, esteja presente e busque ajuda se perceber qualquer mudança brusca de comportamento.

O CVV hoje é o principal canal de acolhimento, você pode entrar em contato via telefone, Skype, e-mail, chat, procurar um posto de atendimento, existem profissionais que estão à disposição 24 horas todos os dias.

Vamos juntas?

Com carinho, Aline Cestaroli.