Você sente que seu filho só te obedece se você gritar, bater, ameaçar ou subornar? Ao agir assim, sente-se culpada, frustrada, incapaz, derrotada, impotente e uma péssima mãe? Acredita que já tentou de tudo para conseguir cooperação, obediência e manter um bom relacionamento familiar, mas as brigas são constantes, seu filho grita, só diz “não”, não aceita o que você diz e chega a te bater quando é contrariado? Você já tentou ser muito firme e mostrar a ele que é você quem manda, mas diante de todo o estresse, acaba cedendo e fazendo a vontade dele?

Criar e educar os filhos, definitivamente, não é uma tarefa fácil! É uma relação repleta de desafios e cada etapa do desenvolvimento da criança exige dos pais uma habilidade diferente. Hoje quero compartilhar com você alguns conceitos que vêm sendo difundidos em mais de 60 países e que está ganhando cada vez mais espaço aqui no Brasil, apoiando muitas famílias a educarem as crianças de forma a desenvolver competências necessárias para a construção de uma vida feliz, a disciplina positiva.

Com base nas teorias psicológicas humanistas de Alfred Adler e Rudolf Dreikurs, Jane Nelsen e alguns colaboradores desenvolveram uma filosofia com ferramentas práticas para ajudar as famílias a melhorarem o relacionamento entre pais e filhos, incentivando as crianças a aprenderem autodisciplina, auto responsabilidade, cooperação e habilidades de resolução de problemas – competências necessárias para a construção de uma vida feliz.

A disciplina positiva tem como pressuposto de que disciplina pode ser ensinada com firmeza e gentileza ao mesmo tempo, sem punição, castigo ou recompensa. É o caminho do meio entre o autoritarismo e a permissividade.

Jane Nelsen é mãe de 7 filhos e revelou que quando agia de forma muito autoritária, não gostava de si enquanto mãe, sentia-se culpada e, para compensar, ia para o extremo oposto e tornava-se permissiva demais, mas desta forma não gostava de seus filhos.

Por que criar os filhos no modelo da disciplina positiva?

Se você tem filhos já deve ter percebido que eles não vêm com um manual, certo? E para criá-los você pode seguir alguns caminhos, tais como: usar o modelo de criação que recebeu de seus pais, ir por tentativa e erro ou desenvolver suas habilidades parentais.

Acredito muito que você tem dentro de si todo o potencial para se tornar a melhor mãe ou pai que seu filho precisa, mas para isso é preciso praticar o autoconhecimento e estudar sobre práticas que sejam efetivas à longo prazo.

“Assim como as crianças precisam de treinamento, os pais também precisam ser treinados. O treinamento consiste em aprender novas respostas às provocações das crianças, e que pode levar a novas atitudes e abrir novos caminhos onde florescem relacionamentos harmoniosos.” (Rudolf Dreikurs)

Durante muito tempo acreditou-se que quando um filho nascia, os pais já deveriam saber o que fazer e como lidar com os desafios diários. Era como se a habilidade parental fosse algo genético ou ao receber a criança nos braços, um chip era implantado e esses pais teriam um “upload” com todas as informações necessárias para criar esse filho. Mas não é assim que funciona. Sabemos que habilidades parentais são aprendidas e desenvolvidas durante toda a vida.

A disciplina positiva oferece informações para que você se sinta segura, encorajada e consiga estabelecer uma relação de confiança e crescimento com seu filho. Oferece ferramentas práticas para aplicar no dia a dia e ter um ambiente mais harmonioso, sendo mais prazeroso se relacionar com todos os que te cercam.

Uma diferença básica entre os modelos tradicionais de educação é a ausência de punição. Compreendemos que as crianças agem melhor quando se sentem melhor, por isso não é eficaz, por exemplo, usar castigos, palmadas ou subornos.

Afinal, o que propõe então, a disciplina positiva?  Uma premissa básica é a conexão antes da correção, ou seja, antes de reagir ao mau comportamento da criança, precisamos compreender o que está por trás e nos conectarmos com essa real necessidade, para a partir daí agir de forma consciente e com foco na solução.

Por exemplo: Seu filho lhe contou uma mentira. Num modelo de disciplina autoritária, podemos reagir à mentira dizendo algo como “Mentiroso. Seu nariz vai crescer! Vai ficar de castigo para aprender a não mentir mais pra mim”. Já se seguirmos um modelo de disciplina permissiva tenderemos a achar que é normal, que é fase. Na disciplina positiva, dizemos algo como “Eu percebi que aconteceu isso e você me contou uma história diferente. Será que você ficou com medo de me dizer a verdade? Aqui em casa sempre dizemos a verdade, como você acha que podemos fazer para isso não acontecer novamente?”

Perceba que não é ignorar o comportamento inadequado da criança, mas sim se conectar ao real motivador e a partir daí focar em soluções para desenvolver as habilidades de vida.

Fez sentido pra você?

Vamos juntas?

Com carinho, Aline