Um desenho que marcou minha infância e certamente a infância de muita gente, está de volta no formato live-action. Assisti ao remake recentemente e quero compartilhar com você alguns aprendizados que tive sobre educação dos filhos:

Autonomia e poder pessoal: Podemos observar em diversas cenas do filme o quanto Simba, ainda filhote, buscava por autonomia. Ele queria ser grande e mostrar o quanto era capaz.
Todos nós nascemos com um poder pessoal e, por volta dos 2 anos de idade, a criança começa a expressar seu desejo por autonomia. Certamente você já percebeu isso no seu pequeno, que, nesta fase, ativa seu modo “explorador” e quer desbravar o mundo ao seu redor… Dedinhos na tomada, subidas na estante, corridas pelo corredor do shopping… As crianças começam a perceber que há um mundo todo para conhecer e anseiam por isso. Por ainda não terem desenvolvido o senso do perigo, necessitam de supervisão constante.

Sermões: Mufasa (pai do Simba) está bravo com Simba porque ele o desobedeceu e foi até uma área proibida, colocando sua vida em risco. Me chamou a atenção a forma como o grande leão abordou a situação, falando sobre sua preocupação e seus sentimentos sem gerar culpa, vergonha ou humilhação no filhote.
Um dos conceitos da Disciplina Positiva é a conexão antes da correção. Isso significa se conectar com a criança, compreender o seu ponto de vista e ensiná-la sobre o que é certo sem precisar fazê-la, antes, se sentir pior.
Nesta cena, Mufasa aproveitou a oportunidade para falar sobre o medo, mostrou sua vulnerabilidade ao assumir que até os Reis sentiam medo e Simba aprendeu a lição.

Valores familiares: Mufasa aproveitava o tempo junto com Simba para ensiná-lo sobre responsabilidade, humildade e muitos outros conceitos que eram importantes para ele. Quando filhote, Simba pareceu não entender muito bem o que o pai lhe ensinava, mas suas palavras ficaram gravadas e, quando adulto, Simba se lembrava de seus ensinamentos.
Precisamos ter clareza de quais são os nossos valores pessoais e sobre como podemos transmiti-los às crianças, principalmente nos momentos desafiadores. Quando a criança é pequena, talvez não faça muito sentido, mas conforme ela cresce e começa a fazer uma leitura do mundo, ela começa a externalizar tudo o que absorveu dos pais.

Culpa: Simba, influenciado pelo tio Scar, sente-se culpado pela morte do pai e por isso decide fugir do reino. Mesmo tendo visto o que aconteceu, seu julgamento ficou prejudicado pelo discurso do tio.
Rudolf Dreikurs, um dos teóricos da Disciplina Positiva, dizia que as crianças são ótimas observadoras e péssimas intérpretes. Justamente por não terem o raciocínio lógico bem desenvolvido, as crianças podem desenvolver um sentimento de culpa pelo que acontece ao seu redor e ela não entende. É interessante vermos em nossa vida quantas culpas carregamos por causa dos julgamentos que fazemos. Quantas vezes acabamos fugindo da realidade e usando máscaras porque acreditamos que não seremos aceitos e amados se o outro souber quem somos de verdade.

Pertencimento: Quando Simba foge para outro reino, ele conhece Timão e Pumba, que se tornam seus companheiros de vida. Todos nós temos uma necessidade básica de sermos aceitos, amados e pertencermos. Simba, passa a adotar o estilo de vida dos novos amigos e se molda à sua nova realidade para que possa pertencer a ela. Vemos isso acontecer na adolescência, fase em que o grupo de amigos se torna muito importante e os adolescentes passam a buscar afinidades com seus pares.

Hakuna Matata: “Os seus problemas você deve esquecer. Isso é viver, é aprender. Hakuna Matata!”, diz um trecho da música cantada por Timão e Pumba. Ela se refere ao fato de não nos preocuparmos tanto com as coisas e vivermos mais o momento presente. Sim, isso é importante! Ainda mais quando falamos sobre educação dos filhos e culpa materna.
Às vezes nos preocupamos tanto com as situações do dia a dia que acabamos nos esquecendo do que realmente importa e não aproveitamos o tempo junto em família e não paramos para simplesmente curtir as crianças.

Encorajamento: Encorajar significa ensinar a agir com o coração. A vida não é só “hakuna matata”, todos nós temos uma missão, um propósito. Quando Simba se reencontra com Nala e ela lhe conta tudo o que havia acontecido no Reino, Simba, à princípio resiste e diz que agora seu lugar era ali – era o medo que estava tomando as rédeas. Mas depois de conversar com Rafiki (macaco sábio e conselheiro), Simba sente-se encorajado a retornar ao Reino e assumir o seu lugar de direito.
Da mesma forma, nós, adultos, precisamos encorajar a criança através de uma disciplina gentil e firme, para que ela possa crescer, desenvolver suas habilidades e todo o seu potencial.

E você, o que achou do filme?

Com carinho, Aline Cestaroli.