Sobre expectativas

Olá, tudo bem?

Hoje gostaria de falar um pouco sobre expectativas…

Durante um atendimento na clínica, tive uma experiência muito bonita que me fez refletir sobre este assunto. Na sessão estávamos desenhando, a criança fazia um desenho lindo, de um castelo de muitos andares, eu fazia o desenho que sei  – casa, árvore, sol, nuvens – na arte de desenhar sou uma ótima psicóloga! rs

Acontece que a criança decidiu parar com o desenho dela para fazer um igual ao meu, afirmando que o meu estava muito bonito e que queria copiá-lo. Tentei incentivá-la a terminar o seu, mas foi em vão.

Sendo assim, começou a fazer um desenho parecido com o meu, mas acontece que ela não conseguia fazer igual, seu traço era diferente, a percepção era outra, tinha a sensação de não ser o suficiente e aquilo foi a entristecendo e desmotivando.

No final, ao conversarmos sobre o ocorrido, eis que a criança diz “Cada um tem um jeito único de desenhar”. Meus olhos brilharam e meu coração se encheu de alegria ao ver o aprendizado que aquela experiência lhe trouxera.

Quis compartilhar esta história com vocês para fazermos uma ponte com as situações de nossas vidas.

Quando deixamos de fazer aquilo que está em nosso coração para adotar padrões pré-estabelecidos, quando nos distanciamos daquilo que somos para nos tornarmos aquilo que acreditamos que o outro espera de nós, acabamos entristecidos, desmotivados e com o sentimento de que nada que fazemos é o suficiente.

Quantas vezes nos sentimos angustiados por não darmos conta de uma expectativa que nós mesmos criamos, por definirmos um padrão de perfeição que é humanamente impossível de atingir?

Se ficamos olhando para o padrão de perfeição, nos comparando com os outros, perdemos a oportunidade de olhar para aquilo que acontece e que nos traz inúmeros aprendizados. 

“A grama do vizinho é sempre mais verde”

É claro que precisamos estar sempre em desenvolvimento, buscando nos aprimorar em cada função que exercemos e buscar ajuda profissional quando necessário, mas ficar se comparando com o outro ou buscar uma referência externa, um modelo pronto, não nos ajuda em nada.

Enquanto desenhava o castelo, o desenho da criança estava lindo, pois desenhava-o a partir da sua experiência, da sua imaginação, ao ponto que não teve um desempenho tão bom quando quis imitar o meu.

Na vida é a mesma coisa!

Pense em como você se sentiu quando deixou de fazer algo que gostaria para atender a expectativa de outra pessoa, ou, então, pense na quantidade de vezes em que sentiu-se frustrado por esperar algo de alguém e não foi correspondido!

Talvez, um dos maiores perigos num relacionamento é a expectativa. Quantos desentendimentos acontecem nas relações por esperarmos do outro uma ação que gostaríamos que ele fizesse, mas que às vezes nem passa pela cabeça dele?

No dicionário, a definição de EXPECTATIVA é: “Situação de quem espera a ocorrência de algo, ou sua probabilidade de ocorrência, em determinado momento”.

O fato é que se nossas ações estiverem sempre direcionadas à dar conta das expectativas dos outros, corremos o risco de não corresponder nem a eles, nem a nós mesmos. E se ficamos criando expectativas, corremos o risco de vivermos frustrados.

Para refletir: A expectativa de quem você tem buscado corresponder? Sua ou dos outros?

Com carinho,

 

 

 

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